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Dados · atualizado em 06/09/2026

Quando o casamento quebra: o que os dados do IBGE mostram por cidade

O Brasil registrou 428.301 divórcios em 2024. Levantamos o número de cada cidade e descobrimos que a fase de risco muda muito de um estado para outro — em Mato Grosso do Sul, 37% dos casamentos terminam antes do sexto ano.

O Brasil registrou 428.301 divórcios em 2024, uma queda de 2,8% em relação aos 440.827 de 2023. Foi a primeira queda depois de três anos seguidos de alta. Mas o número nacional esconde o que interessa a quem está vivendo a situação: a duração do casamento até a separação varia muito conforme o estado, e a diferença entre o extremo mais alto e o mais baixo passa de onze pontos percentuais.

Este levantamento foi feito diretamente na base do IBGE, tabela 1695 das Estatísticas do Registro Civil, com dados consolidados de 2024. Nenhum número aqui é estimativa nossa.

Antes de tudo: divórcio não é sinônimo de traição

Vale começar pelo que estes dados não dizem. Não existe estatística oficial de infidelidade no Brasil, e não poderia existir: nenhum cartório registra o motivo da separação. Desde a Emenda Constitucional 66/2010, o divórcio não exige que ninguém aponte culpado, então nem os processos guardam essa informação.

Qualquer número que você veja por aí no formato "X% dos brasileiros traem" vem de pesquisa de opinião com amostra pequena e autodeclaração, não de registro público. Tratamos isso como o que é: não é dado. O que os registros mostram é quando os casamentos terminam, e isso já é bastante revelador.

Quantos divórcios aconteceram na sua cidade em 2024

Divórcios concedidos em 2024, por município
CidadeDivórcios em 2024
Campo Grande (MS)3.669
Sorocaba (SP)2.556
Uberlândia (MG)1.934
São José do Rio Preto (SP)1.784
Joinville (SC)1.560
Porto Alegre (RS)1.492
Jundiaí (SP)1.442
Bauru (SP)1.342
Barueri (SP)1.194
Botucatu (SP)460
Vitória (ES)363
Araguari (MG)278
Sinop (MT)118
Fonte: IBGE, Estatísticas do Registro Civil, tabela 1695 (dados de 2024)

Duas leituras merecem cuidado. Campo Grande lidera com folga, mas é a maior das treze cidades em população, então o volume acompanha o tamanho. Já Sinop chama atenção pelo contrário: 118 divórcios num município de mais de 200 mil habitantes é um número baixo demais para o porte, e provavelmente reflete registro concentrado em comarcas vizinhas, não um casamento mais estável no norte de Mato Grosso.

Porto Alegre e Vitória, ambas capitais, aparecem abaixo de cidades do interior paulista. Isso é efeito de recorte municipal: as duas têm regiões metropolitanas que absorvem boa parte dos registros em municípios vizinhos.

Em que ano do casamento está o risco

Aqui está o achado mais útil do levantamento. Somando os divórcios ocorridos até o quinto ano de casamento, a diferença entre os estados é grande e consistente com o perfil de cada um.

Divórcios ocorridos até o 5º ano de casamento, 2024
EstadoTotal de divórciosAté 5 anos% do total
Mato Grosso do Sul7.6242.83537,2%
Mato Grosso3.5841.28035,7%
Espírito Santo6.2882.00631,9%
São Paulo122.03436.41629,8%
Santa Catarina16.5474.79028,9%
Minas Gerais52.61614.03526,7%
Rio Grande do Sul14.3923.71125,8%
Fonte: IBGE, Estatísticas do Registro Civil, tabela 1695 (dados de 2024)

Mato Grosso do Sul e Mato Grosso concentram os casamentos mais curtos do grupo: mais de um terço termina antes do sexto ano. No outro extremo, o Rio Grande do Sul tem os casamentos mais duradouros, com pouco mais de um quarto rompendo nesse período. Onze pontos e meio separam os dois.

O quinto ano é o pico, não o primeiro

Existe uma crença de que o casamento que vai mal quebra logo. Os dados de São Paulo, o maior estado da amostra, mostram o oposto: o volume cresce ano a ano até o quinto, e só então começa a cair.

São Paulo, 2024: divórcios por tempo de casamento
Tempo de casamentoDivórcios% do total
Menos de 1 ano3.9123,2%
1 ano6.1315,0%
2 anos6.7015,5%
3 anos6.0605,0%
4 anos6.4805,3%
5 anos7.1325,8%
6 anos6.7845,6%
7 anos6.4065,2%
8 anos6.2035,1%
9 anos5.6154,6%
Fonte: IBGE, Estatísticas do Registro Civil, tabela 1695 (dados de 2024)

O quinto ano é o ponto mais alto da série. Uma hipótese razoável é que o desgaste leva tempo para virar decisão: entre perceber o problema, tentar resolver e finalmente procurar um advogado, passam-se anos. O registro marca o fim do processo, não o começo da crise.

A faixa etária onde a separação se concentra

Em São Paulo, um terço de todos os divórcios de 2024 envolveu mulheres entre 35 e 44 anos — 16,6% na faixa de 35 a 39 e outros 16,6% na de 40 a 44. É o mesmo período da vida em que a maioria tem filhos menores em casa, o que ajuda a explicar por que tantos casos chegam com disputa de guarda junto.

Por que isso importa para quem está com uma suspeita

Se você está lendo isto por causa de uma suspeita, o dado que mais interessa é o do quinto ano. Ele mostra que a maioria das pessoas convive com o problema por bastante tempo antes de agir, e esse intervalo tem um custo técnico que quase ninguém considera.

Vestígio digital tem prazo de validade. Conversa apagada não fica guardada indefinidamente no aparelho: cada foto tirada, aplicativo instalado ou atualização do sistema sobrescreve espaço na memória, e o que é sobrescrito não volta. Um caso levado a exame em semanas costuma render muito mais que o mesmo caso levado depois de um ano de espera.

É por isso que a orientação, quando existe suspeita e o caso pode virar processo, é preservar antes de decidir. Não usar o aparelho, não instalar nada, não restaurar de fábrica. A decisão de seguir ou não pode esperar. O vestígio não.

Como estes números foram apurados

Todos os dados vêm da tabela 1695 das Estatísticas do Registro Civil do IBGE, que consolida divórcios concedidos em primeira instância e por escritura extrajudicial. A consulta foi feita em 6 de setembro de 2026, com dados do ano de 2024, o último consolidado. Os recortes municipais usam o código IBGE de cada município. Alphaville aparece como Barueri, que é o município de referência da região.

Perguntas frequentes

Existe estatística oficial de traição no Brasil?

Não. Nenhum cartório ou tribunal registra o motivo da separação, e desde 2010 o divórcio não exige apontar culpado. Números de infidelidade que circulam vêm de pesquisa de opinião por autodeclaração, não de registro público.

De onde vêm os números deste artigo?

Da tabela 1695 das Estatísticas do Registro Civil do IBGE, com dados de 2024, consultada diretamente na base em 6 de setembro de 2026.

Por que Sinop aparece com tão poucos divórcios?

O número de 118 é baixo demais para um município do porte de Sinop. A explicação mais provável é concentração de registro em comarcas vizinhas, e não maior estabilidade conjugal na região.

Qual é a fase de maior risco do casamento?

Nos dados de São Paulo, o quinto ano é o pico: 5,8% de todos os divórcios do estado. O volume cresce ano a ano até ali e depois começa a cair.

Descobri agora. Devo mexer no celular para procurar prova?

Não. Cada uso do aparelho sobrescreve espaço na memória e pode eliminar de vez o que ainda estaria recuperável. Se o caso pode virar processo, preserve o aparelho antes de qualquer coisa.

Fale com quem vai cuidar do caso

A primeira conversa é sigilosa e sem compromisso. Você explica a situação e recebe uma resposta honesta sobre o que dá e o que não dá para fazer.